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🅾️OPINIÃO Por Antônio Castro: EX-PREFEITO DU CAZELLATO: R$ 10 MILHÕES EM PLANO FRACASSADO

A um custo superior a R$ 10 milhões, o governo Du Cazellato contratou a FIPE, sem licitação, para elaborar o Plano de Mobilidade Urbana e o Plano Diretor de Paulínia. A medida foi uma imposição do Ministério Público após Ação Civil Pública, motivada pela validade expirada do plano diretor de 2006, em desacordo com o Estatuto da Cidade. Contudo, o estudo da FIPE foi apressado e sem amplo debate com a sociedade. As audiências públicas realizadas nas regiões tiveram caráter meramente figurativo. 

Exemplo claro disso ocorreu no Parque da Represa, onde a participação foi mais ativa, mas as sugestões dos moradores foram ignoradas no texto final. O problema central já era previsto. Desde a denúncia de 2020, o MP e o denunciante alertavam para a tragédia que seria a liberação desordenada de condomínios. Na época, projetavam-se 74 novos empreendimentos, número que, posteriormente, dobrou. 

Apesar do alarme, os relatórios técnicos das secretarias municipais foram assustadoramente insuficientes. O relatório da Saúde, diante do aumento de 3.500 pacientes eventuais em um único condomínio no Cooperlotes, coube em meia página de sulfite. O mesmo se repetiu nas pastas de Educação e Transportes, deixando clara a inexistência de estudos sérios sobre os impactos setoriais, configurando irresponsabilidade administrativa. Outro ponto gravíssimo é a suspeita de uso da máquina pública para enriquecimento privado. 

Cazellato priorizou condomínios no bairro Betel, onde seus familiares detêm grandes extensões de terra, indicando possível uso do dinheiro público para valorização territorial. A prática remete ao velho coronelismo, lembrando casos como o do ex-presidente Sarney, que desviava traçados ferroviários para dentro de suas propriedades. As consequências já são sentidas brutalmente em 2026. A mobilidade urbana colapsou. Acidentes em horário de pico geram engarrafamentos de até duas horas, impedindo trabalhadores de chegar em casa. A FACP precisou suspender aulas diversas vezes no ano passado, pois alunos não conseguiam chegar a tempo, forçando até o cancelamento de provas. 

A aprovação desenfreada dos condomínios afronta o bom senso, a responsabilidade fiscal e, acima de tudo, os artigos 182 e 183 da Constituição Federal e o Estatuto da Cidade, violando o interesse coletivo de ir e vir. No viés ambiental, o estrago é igualmente profundo. Áreas de Preservação Permanente (APPs), como aquelas próximas ao Parque Brasil 500 e ao Jardim Europa, perderam a conectividade ecológica, prejudicando ecossistemas consolidados. Além disso, a supressão de árvores na gestão foi gravíssima. Este dado é alarmante, pois Paulínia figura como a 4ª cidade do estado que mais consome energias combinadas, devido às suas 500 a 700 indústrias. 

Segundo relatórios da OMS, EPA e FAO, a vegetação funciona como filtro biológico, retendo partículas em suspensão. Considerando que a CETESB aponta Paulínia como uma das cidades com maior índice de estagnação do ar no estado, conservar e plantar árvores é questão de sobrevivência e saúde pública. A retirada da cobertura vegetal agrava a poluição e põe em risco a vida de cada cidadão.  

Em síntese, as redes sociais da cidade transbordam reclamações sobre a péssima qualidade do trânsito e do ar, ambas diretamente associadas ao inchaço populacional provocado pela gestão anterior. O sentimento coletivo é de que a qualidade de vida está comprometida por decisões administrativas reprováveis, tomadas às pressas e sem planejamento sustentável.

Agora, o ex-prefeito Du Cazellato tenta se eleger deputado estadual em 2026, mas deixa como legado um Plano Diretor que nasceu errado e uma cidade sufocada pelo caos que ele mesmo ajudou a criar. 

(Antonio Castro é técnico em Políticas Públicas e Direito, tendo acompanhado todo o processo de elaboração do Plano Diretor e de Mobilidade Urbana de Paulínia.) 

**A opinião não reflete necessariamente a opinião do Diário de Paulínia.


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