Em Paulínia, moradores do bairro Betel uniram forças para criar o Preserva Betel, um grupo de trabalho organizado que contesta formalmente o traçado proposto pela Concessionária Rota das Bandeiras para a nova rodovia do Contorno Norte de Campinas.
Segundo
o grupo, a mobilização, que hoje reúne cerca de 600 participantes em redes de
comunicação coletiva, produziu um robusto dossiê técnico que aponta graves
impactos socioambientais na região. Além disso, uma pesquisa quantitativa
realizada pelo próprio grupo revela que a rejeição ao projeto atual ultrapassa
a marca dos 90% dentro da comunidade afetada.
O
sinal de alerta para a comunidade acendeu em dezembro de 2025, quando
representantes da concessionária iniciaram visitas a imóveis rurais do bairro,
solicitando autorização para estudos ambientais — um indicativo tradicional de
futuras desapropriações. Em resposta, a comunidade iniciou uma articulação
digital em abril de 2026. O grupo de WhatsApp criado para o debate rapidamente teve vários
integrantes, servindo de base para a criação de um grupo de trabalho estruturado,
focado na análise técnica e na defesa urbanística e ambiental do bairro.
Dossiê técnico
O principal pilar das ações, segundo o Preserva Betel é o relatório geral intitulado "Contorno Norte de Campinas e os Impactos Socioambientais no Bairro Betel". Com 52 páginas, o documento detalha inconsistências e riscos do traçado atual. Entre os pontos levantados pelo estudo, destaca-se que a nova rota proposta seria 40% mais longa do que as opções viárias já existentes entre os mesmos pontos de conexão, o que põe em xeque a própria eficiência do projeto.
O relatório também aponta que o traçado afetaria diretamente o entorno de três importantes instituições de ensino locais: a ETEP, a EMEF Professor Domingos de Araújo e a EM Atílio Bardin. No campo científico e ambiental, a rodovia ameaça o Campo Experimental do CPQBA/Unicamp, colocaria em risco nascentes, áreas de reflorestamento e a Coleção de Plantas Medicinais e Aromáticas, um valioso acervo genético com quase 40 anos de história. O projeto ainda interferiria nos corredores ecológicos da ARIE Mata de Santa Genebra e cruza áreas com histórico de contaminação de solo já mapeadas.
Pesquisa
Para quantificar o sentimento do bairro, o grupo aplicou uma pesquisa de opinião em abril de 2026, ouvindo 527 moradores de 17 localidades de Betel. Os dados demonstram uma preocupação generalizada com o futuro da região: 90,5% dos respondentes rejeitam o traçado atual ou exigem alterações profundas, enquanto 93,4% acreditam que a rodovia vai piorar significativamente a qualidade de vida no bairro. Além disso, o temor com o aumento de ruído e poluição sonora atinge 97% dos entrevistados.
Próximos passos
O grupo Preserva Betel disse que já protocolou um requerimento formal junto à Prefeitura de Paulínia. O documento solicita que a administração municipal assuma um posicionamento oficial contrário ao traçado atual e ofereça apoio técnico para identificar alternativas que poupem o bairro dos impactos negativos. Paralelamente, voluntários realizam a entrega de panfletos informativos em pontos estratégicos de Betel para conscientizar a população.
Em
nota em seus documentos oficiais, as lideranças do movimento reforçam que o grupo
não se opõe ao desenvolvimento regional. Contudo, defendem que uma decisão
dessa magnitude exige a avaliação rigorosa de alternativas, visto que os
impactos sociais, ambientais, patrimoniais e jurídicos identificados são
significativos e convergentes.
Prefeitura
Esta semana, o prefeito de Paulínia, Danilo Barros, esteve em São Paulo com representantes do governo do estado para discutir o projeto. Danilo garantiu que a Prefeitura está acompanhando de perto o andamento dos trabalhos para garantir o desenvolvimento sustentável da região e defender os interesses da população.
“Conseguimos abrir um diálogo produtivo
com o Governo do Estado para que, juntos, possamos construir uma solução que
contribua para a mobilidade regional, sem comprometer os interesses da
população de Paulínia”, destacou o prefeito.
